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terça-feira, 29 de maio de 2012

Reboco.



Eu to uma péssima companhia hoje, uma péssima companhia pro meu próprio eu e pros outros “eu” que eu também posso ser. Hoje eu sou a menina malvada amanhã sou o cordeiro em pessoa, com o cenho franzido de genuinidade, depois de amanhã sou a pecadora, e depois de depois de amanhã sou a santa. Olha só como ela é feliz, as pessoas dizem. Falam isso pra menina de plástico, daqueles bem duros que fede a coisa nova. Você não tem problemas você nem passou dos trinta, as pessoas falam.
O que eu quero é que você sente e pergunte se eu quero falar dos meus problemas e não ouvir “quando você fica mais velho vai vendo que era feliz e não sabia.” Se eu com 16 anos não sou feliz, desculpe meu caro, mas não quero envelhecer pra ficar mais infeliz, que eu saiba a tendência é melhorar.
Ruim mesmo é sentir cada milímetro do meu corpo arder, pedir, gritar e implorar por cada milímetro do seu, mas não se entrega, não consegue, não saí do lugar por medo ou por complexo ou medo e complexo, apenas. Tem um bloqueio dentro de mim que não me deixa gritar o quanto eu quero ser sua, todo meu corpo 44 quer ser seu, toda minha alma perturbada e esquizofrênica quer ser presa por você, mas não dá, não grita, tem vergonha.
Ridículo o reflexo no espelho, um coração remendado e uma massa de reboco na cara e um cabelo bem escovado ninguém suspeita que é a menina de plástico ali naquela embalagem feia.
Levanta as costas menina, vai ficar corcunda. Calma ai, deixa eu tirar meus problemas das minhas costas, ta bom assim?.
Tenho medo, medo mesmo sabe? Medo de jogar na cara o que tem dentro de mim, ele vai me achar louca, talvez eu seja mesmo... eu sou louca! Queria saber porque toda vez eu chego em casa querendo ser sua só mais um pouco, queria saber o porque de nada mais me impressionar ou me fazer perder o sono, queria saber o porque que eu carrego uma massa com remendos de pano no lugar do meu coração.
Bate, bate, bate e bate um pouco com gordura nas artérias e um pouco desgraçado, mas continua batendo, infelizmente, mas continua.
Medo de me entregar simplesmente por medo de querer de mais e me envolver de mais e cuidar de mais e amar de mais... porque no final eu sempre me pego aqui: escrevendo demais por desejar e ser idiota demais!  

 _ Stephanie Lima. 

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