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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Cinza.




Sexta-feira e eu sozinha, normal, tão normal que nem ligo mais nem choro mais nem me importo mais. Caçando algo no meu computador a manivela pra me alegrar com a felicidade ou a tristeza aléia, tristeza é arte, e muitos são ignorantes demais pra entender esse raciocínio.
E ele me liga e fala que está preso a três horas e meia na Av.Brasil, acho que só ligou pra passar o tempo, pra ter pra quem xingar os milhares de carros parados e não ficar falando palavrão sozinho, mas ligou, ele ligou, em plena sexta feira ele também só queria está em casa assim como eu... Eu estava, mas minha casa está longe de mim, minha casa deixou de ser casa a muito tempo, deixou de ser o melhor lugar do mundo a muito tempo.

Eu bem que queria ficar presa com ele três horas e meia em um lugar fechado, ignoraria o fato de ter claustrofobia, penso alto e ele fala “o que?” ele ouviu, só perguntou pra confirmar, pra ver se meu pensamento é tão pervertido ao contrário do que parece ser. Ele é, mas eu respondo com um “nada” e então a gente começa a falar besteira da vida dos outros, de como um esta metido porque apareceu na televisão ou da bagunça que está tendo na praça perto da casa dele e não o deixa dormir. Nada de um “quero te ver” ou “ podíamos fazer algo né?” normal, super normal pra mim. Reclamo que o espaço do meu computador está um lixo, reclamo que a química que fiz no cabelo não pegou, reclamo que tenho que acordar uma hora antes pra maquilar o meu cinza, reclamo de tudo menos de como eu queria ele aqui e não dá, não rola, ele trabalha no sábado e eu tenho prova no cursinho de inglês.
Estudou?. Não. Tem que estudar menina. Eu me garanto. Se garante em mais o que?. Muita coisa. Muita coisa mesmo?. Você quer ver?.  Ele ri e muda de assunto, maldita memória que grita “você é oito anos mais velho que ela, e o pai dela tem porte de arma.” Mal ele sabe que quero muito mais coisas que ele.

Eu fico lembrando de como o pescoço dele é perfeito e que dá sete beijinhos certinhos até chegar aos lábios e de como ele aperta a minha bunda com força. Você tem medo do que?. De tudo!. De tudo o que?. Tenho medo de palhaços. Ele riu e disse que eu era engraçada. Tenho medo de morrer sozinha sentada numa cadeira de balanço que faz “raeng raeng” fazendo crochê, medo de corredor, medo de ter um relacionamento frio e sem graça que se empurra com a barriga por costume e preguiça e medo de largar tudo e tentar ser feliz novamente, medo de não ver mais seu nome e sobrenome lindo que eu quero depois do meu nas minhas chamadas recentes, medo de mim principalmente. Claro que eu não disse, não quero que ele descubra que sou louca, não agora, não agüento ver mais ninguém indo embora da minha vida.
E agora acabei de descobrir que tenho medo de ser feliz e de deixar que me façam feliz, mania chata, complexo chato, neurose chata. Se permita, se permita!
Quero remédio, daqueles que botam de baixo da língua pra curar uma dor qualquer sabe? Porque meu coração partido e medroso tem medo de ser curado.

 _ Stephanie Lima. 

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