Eu
to uma péssima companhia hoje, uma péssima companhia pro meu próprio eu e pros
outros “eu” que eu também posso ser. Hoje eu sou a menina malvada amanhã sou o
cordeiro em pessoa, com o cenho franzido de genuinidade, depois de amanhã sou a
pecadora, e depois de depois de amanhã sou a santa. Olha só como ela é feliz,
as pessoas dizem. Falam isso pra menina de plástico, daqueles bem duros que
fede a coisa nova. Você não tem problemas você nem passou dos trinta, as
pessoas falam.
O
que eu quero é que você sente e pergunte se eu quero falar dos meus problemas e
não ouvir “quando você fica mais velho vai vendo que era feliz e não sabia.” Se
eu com 16 anos não sou feliz, desculpe meu caro, mas não quero envelhecer pra
ficar mais infeliz, que eu saiba a tendência é melhorar.
Ruim
mesmo é sentir cada milímetro do meu corpo arder, pedir, gritar e implorar por
cada milímetro do seu, mas não se entrega, não consegue, não saí do lugar por
medo ou por complexo ou medo e complexo, apenas. Tem um bloqueio dentro de mim
que não me deixa gritar o quanto eu quero ser sua, todo meu corpo 44 quer ser
seu, toda minha alma perturbada e esquizofrênica quer ser presa por você, mas
não dá, não grita, tem vergonha.
Ridículo
o reflexo no espelho, um coração remendado e uma massa de reboco na cara e um
cabelo bem escovado ninguém suspeita que é a menina de plástico ali naquela
embalagem feia.
Levanta
as costas menina, vai ficar corcunda. Calma ai, deixa eu tirar meus problemas
das minhas costas, ta bom assim?.
Tenho
medo, medo mesmo sabe? Medo de jogar na cara o que tem dentro de mim, ele vai
me achar louca, talvez eu seja mesmo... eu sou louca! Queria saber porque toda
vez eu chego em casa querendo ser sua só mais um pouco, queria saber o porque
de nada mais me impressionar ou me fazer perder o sono, queria saber o porque
que eu carrego uma massa com remendos de pano no lugar do meu coração.
Bate,
bate, bate e bate um pouco com gordura nas artérias e um pouco desgraçado, mas
continua batendo, infelizmente, mas continua.
Medo
de me entregar simplesmente por medo de querer de mais e me envolver de mais e
cuidar de mais e amar de mais... porque no final eu sempre me pego aqui:
escrevendo demais por desejar e ser idiota demais!
_ Stephanie Lima.




